Poda do cajueiro

Dicas sobre poda do cajueiro

Poda do cajueiro
Canal da Cajucultura

O Canal da Cajucultura no   YouTube está em fase final produção de um vídeo com orientações importantes sobre a “Poda do Cajueiro“, operação que é sempre motivo de dúvidas por parte dos cajucultores. A expectativa é de que ainda nesta primeira quinzena de fevereiro o vídeo esteja disponível para os milhares de seguidores do Canal.

O Canal da Cajucultura conta atualmente com um acervo de mais de 100 vídeos que abordam os diferentes elos da cadeia proudtiva do caju, no Brasil e no mundo.

Colheita do caju

Gana busca espaço na cajucultura

 

Colheita do caju
Colheita do caju

Localizado na África Ocidental, Gana está entre os maiores produtores africanos de castanha de caju. O país produz atualmente cerca de 85.000 toneladas de castanha de caju in natura, o que representa cerca de um por cento da produção mundial. Desse total, mais de 90% são comercializados para a Índia e o Vietnã por exportadores e processadores asiáticos.

A produção ganense de castanha de caju remonta à década de 1960, com a produção voltada para os mercados de exportação tendo  crescido significativamente na última década.

Gana tem 14 unidades de processamento de castanha, com uma capacidade total anual de 65.000 toneladas. Embora 10 dessas plantas estejam ativas, elas processam menos de 10% da produção anual total de caju. As demais plantas de processamento pararam de operar ou foram completamente fechadas.

Há uma série de desafios que dificultam o processamento local de castanha de caju em Gana. A principal delas é a falta de capital para manter as operações, juntamente com a incapacidade dos processadores locais de acessar castanha de caju in natura dos agricultores.

Os processadores locais também enfrentam intensa concorrência de processadores e exportadores estrangeiros – principalmente da Ásia – que aumentam os preços da castanha de caju. Enquanto os processadores e exportadores asiáticos são capazes de arcar com altos preços ao produtor devido ao acesso a taxas de juros preferenciais em seus países de origem, os processadores locais não conseguem competir, deixando-os simplesmente incapazes de comprar castanha de caju in natura.

Essas condições deixam Gana fora do jogo, perdendo assim oportunidades significativas de geração de empregos e renda por meio da crescente indústria global do caju.

amêndoa de castanha de caju sobre uma mesa

Vietnã se destaca na venda de amêndoa de caju

amêndoa sendo despejada sobre uma mesa
Amêndoa de castanha de caju

De janeiro a dezembro de 2021 o Vietnã importou um total de 3.149.865 toneladas de castanha de caju in natura, um aumento de 81,45% em relação ao ano de 2020. Na quase totalidade, as importações tiveram os países africanos como origem.

Já no tocante às exportações de amêndoa de castanha de caju – ACC (foto), os valores em 2021 situaram-se em cerca de 17% acima do ano anterior, com 609.260 toneladas exportadas.

Os principais destinos e quantidades exportadas de ACC pelo país em 2021 foram os Estados Unidos (160.868 toneladas), China (64.234 toneladas)  e União Europeia (384.067 toneladas).

O país, de longe, continua ocupando a primeira posição no ranking mundial na comercialização de ACC.

Exportações cearenses de amêndoas de castanha de caju

Em 2021, as exportações de amêndoas de castanha de caju (ACC) feitas pelo Estado do Ceará, maior produtor e processador de castanha de caju do Brasil, totalizaram US$ 90,2 milhões (preço FOB), representando um aumento de 7% em relação ao ano anterior.

Historicamente (veja gráfico abaixo), a ACC representa um dos principais produtos agrícolas exportados pelo Ceará. Além das amêndoas de caju, o Ceará também faturou US$ 2,09 milhões no mesmo período, resultante das exportações de LCC (Líquido da Casca do Caju).

Brasil importa amêndoa de castanha de caju

Segundo dados da Conab (Boletim Análise Mensal/Caju, de novembro de 2021), a produção nacional de castanha de caju vem se reduzindo a uma taxa média anual de 2,0% entre 2017 e 2021, refletindo uma diminuição de área de 4,0% ao ano no período, apesar do aumento de 1,3% na produtividade anual da cultura. A produção do Ceará, principal estado produtor,  vem recuando à taxa média anual de 1,7% entre 2017 e 2021.

De igual modo, entre 2017 e 2021, a redução de área vem acontecendo nos três principais estados produtores, à taxa média anual de 3,3% no Ceará; de 1,4% no Piauí; e de 10,2% no Rio Grande do Norte. Esses três estados, até o mês de novembro representavam 92,1% da área destinada à colheita no ano de 2021.

Não menos preocupantes do que os números acima, são algumas informações também contidas no referido boletim, mostrando que crescem as importações de amêndoa de castanha de caju no mercado interno. De janeiro a novembro de 2021, as mesmas somaram 308 toneladas, perfazendo um valor de US$ 811,0 mil, representando um aumento de 42,0% em termos de quantidade e de 9,9% em termos de valor em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os países de origem dessas importações foram a Guiné Bissau, Gana, Vietnam e Costa do Marfim.

Os números acima realçam de forma assustadora os perigos que ameaçam a sustentabilidade da cadeia produtiva da cajucultura nacional. É só o começo… A quem recorrer?

Cajucultura 2021: uma safra frustrante

Como as previsões já antecipavam há pelo menos quatro meses, e agora confirmadas pelo IBGE no último dia 11/1, o Brasil encerra o ano de 2021 com resultados decepcionantes em relação à safra de castanha de caju.

Os números divulgados apontam para uma produção de 110,6 mil toneladas de castanha, o que representa um decréscimo de 20,2% em relação à produção obtida em 2020 (138,7 mil toneladas). As maiores quedas de safra foram registradas no Ceará (25,9%) e Piauí (17,9%), com o Rio Grande do Norte apresentando uma diminuição de 4,5% (ver tabela abaixo). Saliente-se que juntos, os três responderam por 89,2% da produção brasileira de castanha de caju em 2021.

Safra brasileira de castanha de caju 2021

UF

Produção (t) 2021/2020

Brasil

110.669

– 20,2%

Ceará

63.076

-25,9%

Piauí

19.020

-17,9%

R.G.Norte

16.667

-4,5%

Outro aspecto chama a atenção nos números da safra de 2021: nos três estados, as produções mostraram-se inferiores aos dos três anos anteriores. A baixa pluviosidade ocorrida nos primeiros quatro meses de 2021 tem sido apontada como um dos fatores principais responsáveis por essa expressiva quebra de safra. Além disso, as pragas e doenças também fizeram a sua parte. Mas será só isso?

Esse baixo desempenho certamente colocará o Brasil fora do ranking dos 10 maiores produtores mundiais de castanha em 2021, além de gerar incerteza quanto à oferta de matéria prima made in Brazil para o processamento doméstico no corrente ano.

 

Cajucultura na Costa do Marfim

 

O cajueiro foi inicialmente introduzido na Costa do Marfim (na região de Bondoukou) para fins de reflorestamento. A população local logo percebeu que o seu cultivo era muito menos exigente do que o do cacau; as plantas exigiam pouca manutenção e que a castanha podia ser vendida a um preço mais atrativo que o cacau ou o algodão, cujos preços estavam caindo.

O desenvolvimento inicial da cultura do caju foi totalmente espontâneo e livre, impulsionado apenas pela oferta e demanda. A Índia tinha escassez de matérias-primas e os compradores vieram para a África na década de 1980 e começaram a comprar castanha. Inicialmente, não houve apoio do governo da Costa do Marfim ou de ONGs. Esse apoio veio depois, quando as árvores foram plantadas. E a indústria do caju permitiu que os produtores do norte, cuja única cultura de rendimento era o algodão, diversificassem sua produção, o que teve um grande impacto social.

Em três décadas, a castanha de caju tornou-se a nova estrela da Costa do Marfim e seu sucesso continua. A produção cresceu expressivamente, com previsão de 1 milhão de toneladas na safra 2021, de acordo com os números mais recentes do Conselho do Algodão e do Caju. O setor atualmente garante a subsistência para mais de 410.000 famílias na Costa do Marfim, e disputa o posto de maior produtor mundial com a Índia, e à frente do Vietnã. Também está a caminho de se tornar o terceiro maior processador de castanha de caju do mundo, posição atualmente ocupada pelo Brasil. Existem atualmente cerca de quinze plantas de processamento em construção, que se somarão às cerca de 15 existentes. Há cinco anos havia apenas três fábricas. Em 2016, a Costa do Marfim processou cerca de 10.000 toneladas de castanha de caju in natura; agora está se aproximando de 100.000 toneladas.

Para aproveitar ao máximo o boom do caju, a Costa do Marfim decidiu atingir uma taxa de processamento doméstico de 40%. Nos últimos anos os investimentos têm aumentado e os centros de processamento surgiram em Bondoukou, Korhogo, Bouaké, Yamoussoukro e Abidjan. Esses investidores incluem a Olam de Cingapura (líder de mercado), a SG Agro da China, a Ivoirienne de Noix de Cajou do Canadá (INCajou), a Ciwa da França, a DekelOil de Israel e a Novarea and Ivory Cashew Nut (ICN) da Costa do Marfim.

A Costa do Marfim é atualmente o único país a iniciar uma política de apoio à indústria do caju, fixando preços para os produtores, tributando as exportações de matérias-primas e facilitando a construção de fábricas. Outros países africanos como Burkina Faso, Benin e Gana estão analisando o que está acontecendo e começando a seguir o exemplo.