Vídeo novo no Canal da Cajucultura
Castanha africana: preços em queda
A crise do setor da cajucultura na África Ocidental já dura alguns meses e preocupa os produtores de caju africanos. Não existem compradores para a castanha recém-colhida (África ocidental está quase no final da safra) e os preços estão em queda livre.
De Cotonou (Benin) a Dakar (Senegal), via Abidjan (Costa do Marfim), Lagos (Nigéria) e Bissau (Guiné Bissau), é a mesma situação: uma verdadeira catástrofe. A causa principal: estoques acumulados pelos compradores asiáticos em 2018.
Muita gente boa esquece que há um tamanho limite para o mercado. Existe um ponto de saturação. A partir daí, se todos continuarem produzindo a oferta será maior que a demanda e, como consequência principal, ocorrerá queda de preço. Simples assim.
Cajucultura: não basta saber produzir
Mais do que nunca, exige-se de quem assume a gestão de um empreendimento agrícola, conhecimentos básicos não apenas sobre como produzir. Tão importante quanto ter noções básicas de adubação, controle de pragas e doenças, colheita, etc., é ter noções de administração rural, associativismo, mercado, comercialização, só para citar alguns.
Na cajucultura isto não é diferente. Não basta produzir. Para sobreviver na selva do agronegócio, o produtor terá de ser um jogador polivalente e se capacitar muito além das práticas agronômicas. Não há escolha.
Desperdício do caju é universal
Grande produtor mundial de castanha, a Costa do Marfim desperdiça praticamente toda a produção de pedúnculo pela falta de conhecimento em relação aos seus diversos usos e também devido a tabus alimentares. Na foto, na região de Niakara, centro norte do país, um agricultor realiza a operação de descastanhamento (Foto: Agence Ivoirienne de Presse) .

Suco de caju sem travo
Castanha: as contas não fecham
Face aos baixos preços da castanha, a grande preocupação dos produtores, expressa em vários grupos de WhatsUp dos quais participo, volta-se cada vez mais para a seguinte questão: “Como (e onde) reduzir os custos de produção?”
Vídeos do Canal da Cajucultura
Você já conhece o Canal da Cajucultura no YouTube? Caso não conheça, fique sabendo que neste Canal existem diversos vídeos tratando de assuntos exclusivamente voltados para o negócio caju.
Conheça a broca das pontas do cajueiro
Monitoramento de pragas do cajueiro
Preços da amêndoa de castanha de caju
Uma política de estado para o negócio caju
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Preços da castanha na África
Preços (em Franco CFA) pagos ao produtor pelo quilo da castanha de caju praticados em abril em alguns países da África Ocidental. Os valores entre parênteses estão convertidos para reais:
Burkina: 100-200 (R$ 0,67 – 1,34 )
Benin : 150-350 (R$ 1,00 – 2,34)
Costa do Marfim: 75-150 (R$ 0,50 – 1,00)
Gana: 225-285 (R$ 1,50 – 1,91)
Mali: 100-150 (R$ 0,67 – 1,00)
Nigéria: 235-275 (R$ 1,57 – 1,84)
Senegal: 250- 350 (R$ 1,67 – 2,34).
Safra de castanha na Costa do Marfim
Entre produtores e compradores em greve, o governo da Costa do Marfim (área verde no mapa) está tentando salvar uma safra cujo andamento começa a se politizar. A safra de 2019 – da qual o país é hoje o maior produtor mundial (761.331 toneladas de castanhas em 2018) – está desacelerando nas regiões em crescimento do norte e centro do país.
O nó da questão: uma greve de compradores deflagrada logo no início da safra para denunciar o preço de compra dos produtos definidos pelo governo para 375 CFA por quilo (0,6 euros). Um preço considerado alto pelos compradores, comparado ao preço de compra internacional (um dólar por quilo) e uma pesada tributação.
