Não ao plantio do cajueiro por sementes

A produtividade dos pomares de cajueiro no Brasil é uma das menores do mundo, em decorrência, principalmente, do plantio feito por castanha na década de 70, quando inexistiam clones melhorados de cajueiro.

Na atualidade, com vários clones de cajueiro anão lançados pela Embrapa Agroindústria Tropical e com um razoável número de bons viveiristas, não se justifica que ainda se insista no emprego de sementes para o plantio direto no campo.

A única forma de se obter pomares produtivos é com o plantio de mudas enxertadas. Fazer o contrário é retroceder no tempo em pelo menos três décadas, contribuindo ainda mais para a redução da competitividade da cajucultura brasileira no mercado internacional.

É fundamental profissionalizar a cajucultura

A desorganização da cadeia produtiva do caju na maioria dos países produtores pode ser apontada como um dos fatores responsáveis pelo seu status atual.

Qual a solução? Não existem receitas prontas – o que se pode é refletir sobre os poucos casos de sucessos. De qualquer modo, os que teimam em continuar nesta atividade já têm em mente que a mesma não se sustenta apenas com o produto castanha. É necessário agregar valor, apostando em todos os coprodutos conhecidos do cajueiro.

O Vietnã é um caso raro de sucesso nesta atividade. Em 1961 possuía pouco mais de mil hectares com o cajueiro, introduzido no país como árvore de sombra. Hoje, além de ser o maior exportador mundial de amêndoas de caju, busca também a liderança na produção mundial de castanha. Na briga pelo mercado europeu começa a ameaçar a até então inabalável Índia. Qual o segredo? Profissionalização do setor e muito, mas muito mesmo, trabalho de promoção e investimento interno e externo no setor.

Caju, do Maranhão para o mundo

O nome inglês ‘cashew’ é derivado da palavra portuguesa de pronúncia similar, ‘caju’, que por sua vez provém da palavra indígena ‘acaju’. Em alguns países da América Latina é chamado ‘marañon’, provavelmente devido ao nome da região onde foi visto pela primeira vez, o estado do Maranhão, no meio norte do Brasil.

Presume-se que o cajueiro chegou em Goa, principal colônia de Portugal nas Índias Orientais, entre 1560 e 1565. Os portugueses levaram a planta para a Índia, entre 1563 e 1578. Depois da Índia foi introduzida no sudeste asiático, chegando à África durante a segunda metade do século XVI, primeiro na costa leste e depois na oeste e por último nas ilhas.

O resto da história todos conhecem: a Índia e o Vietnã são hoje são os maiores exportadores mundiais de amêndoa de castanha de caju.

A gravura acima é considerada a ilustração mais antiga sobre o cajueiro, feita pelo monge francês André Thevet, quando de suas andanças exploratórias, pelo litoral do Nordeste, em 1557.

Cajucultura: não há espaço para amadorismo

Por Vitor Oliveira

Vitor Oliveira

Periodicamente tenho publicado no Blog e no Canal da Cajucultura matérias sobre o que acontece no negócio caju nos principais países produtores de castanha de caju. Para quem encara a cajucultura como de fato um negócio, entendo ser de suma importância conhecer a sua área de atuação em todos os níveis.

Acredito que um dos grandes equívocos que um empreendedor, de qualquer área, pode cometer, é não conhecer o mercado de sua área de atuação. No mundo da informação digital não dá mais para o produtor ficar alienado, preocupando-se em apenas produzir sem, muitas vezes, ter a mínima ideia para quem e como vai vender. A informação nos dias de hoje está na palma da mão. É questão de saber decifrá-la e tirar o melhor proveito possível, evitando, contudo, que a superficialidade da informação conduza a caminhos indevidos.

Tenho repetido que o empreendedor rural nos dias atuais tem que ser um jogador polivalente: entender um pouco de administração, finanças, agronomia, só para citar algumas. E além disso, quando possível, procurar se capacitar nas áreas onde entenda possuir maior deficiência.

Com este novo espaço na web, pretendo agregar o conjunto de informações existentes na diversas mídias sociais que tratam do tema cajucultura, no sentido de facilitar o acesso de todos aqueles que buscam por informações/conhecimentos nesta área. Na moderna agricultura, e a cajucultura está aí inserida, não há mais espaço para amadorismo. Profissionalização é a palavra da hora.

Ceará: castanha no topo das exportações

12Dados divulgados pela Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), referentes às Exportações Cearenses, revelam que no período entre 2010 e 2018, o valor das exportações de amêndoa de castanha de caju, à exceção apenas de 2013, 2014 e 2015, estiveram acima do setor da fruticultura. Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino da amêndoa brasileira, com cerca de 53% do volume total exportado em 2018.

Em termos de agronegócio, a castanha de caju desponta com o primeiro lugar em 2018, vindo em seguida a fruticultura. Tamanha importância bem que merecia do estado uma estrutura de governo mais robusta e específica para o setor.

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O “travo” do caju

Você sabia que a sensação de “travo” existente em algumas variedades de caju é causada por uma propriedade denominada adstringência, conseqüência da presença no pseudofruto de substâncias conhecidas como taninos. Não só no caju, mas quando qualquer fruto amadurece a adstringência é menos percebida, seja por modificações químicas nos taninos ou pelo aumento no teor de açúcar, que mascara esta sensação. Geralmente, não é possível identificar, somente pela aparência, se uma determinada variedade de caju é adstringente ou não. Contudo, existem algumas exceções, como o caso do caju-banana que contém elevado teor de taninos e é conhecido pela acentuada adstringência ou travo. Hoje já é possível recomendar para o plantio clones de cajueiro-anão precoce que produzem pedúnculos de baixa adstringência

A palavra caju em vários idiomas

A palavra caju, provém do idioma tupi e significa, segundo alguns tupinólogos, fruto amarelo. A seguir, uma coletânea dos nomes que são dados ao cajueiro nos mais diferentes idiomas dos países onde é encontrado.

Português

– Caju, Cajueiro, pé de Caju, Castanha de Caju, Maçã de Caju

Francês

– Cajou, Acajou, Anacardier, Cachou, Noix de cajou (França)

– Darcassou (Senegal, Costa do Marfim)

Inglês

– Cashew, cashew tree, Cashew nut, cashew apple, Cashew Kernel

Espanhol

– Marañon, nuez de marañon ( Equador)

– Cajuil, Pajuil ( Porto Rico, Costa Rica, Cuba, México, Peru, Colômbia, Panamá, El Salvador)

– Merey, Mereke ( Venezuela)

– Acayouba ( Argentina)

Italiano

– Anacardio, noci di Anacardio

Holandês

– Acajou, Kaschu

Alemão

– Acajuban, Kaschunuss

Dialetos Africanos

– Kazuwa, Tazwa, Diboto (Zaire, Congo)

– Mkanju, Korosho (Suahili)

– Bibbo, Bibs (Somália)

– Cajoutier, Mabida, Mahabibo (Rep. Malgaxe)

Dialetos Asiáticos

– Kajus, gajus, Janggus, kanjus (Malásia)

– Jambu-gajus, Jambu-monyet (Java)

– Gaju, Jambu-mèdè, Jambu-erang (Sumatra)

– Boa-frangi (fruta de Portugal – Molucas)

– Kaju (estados do norte da Índia)

– Caju-gaha, Cadjú, Paranji-handi (noz de Portugal) – (Estados do sul da Índia e Ceilão)

– Kasoy, Kasui, Kasul, Kachui (Filipinas)